Cervejarias do Brasil: Cervejaria Hosang

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junho 24, 2013 | Posted in Artigos, Curiosidades

Baseado em: José Ferreira da Silva – Blumenau em Cadernos Tomo – nº.9 – setembro de 1960.
Atualizado e/ou confirmado por: Niels Deeke, Brigitte Brandenburg, Henry Henkels e Marcos Schroeder.
Imagens do rótulo e da garrafa gentilmente cedidos por Eliane Hosang (tataraneta de Heinrich hosang).

Em 1858, veio juntar-se aos colonos alemães que construíram, à margem do Garcia, a sede da colônia Blumenau – SC, um imigrante nascido em 29 de março de 1828, natural de Brunswick (Alemanha). Chamava-se Heinrich Hosang (Heinrich Peter Andréas Hosang)

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Homem ativo e empreendedor pensou logo na criação de uma indústria de cerveja, de que trouxera prática do velho mundo. E tão logo viu possibilidades de suficiente consumo para a produção prevista, e depois de ter construído sua casa na atual Rua São Paulo (casa que ainda existe) e de ter se casado com Helena Brandes (Helene Friederike Henriette Brandes) nascida em 20 de outubro de 1838, instalou, nos fundos de sua residência, a sua pequena indústria.

Isso se deu em 1860, quando Blumenau contava, apenas, pouco mais de 950 moradores, agrupados em 190 famílias e outras tantas casas de moradia, das quais só umas sessenta mereciam esse nome, pois, as outras, não passavam de ranchos cobertos de palha.

O terreno adquirido por Hosang tinha 150 geiras e custara 450$000 que foram pagos à vista. Não se tendo, no momento de efetuar o pagamento, conhecimento, ainda, do regulamento da colônia (que naquele mesmo ano de 1860 passara para o domínio do governo imperial) e que concedia o desconto de 12% sobre o preço de terras pagas à boca do cofre, Hosang em 1867, requereu lhe fosse devolvida a importância que pagara a mais.

A fábrica de Hosang prosperou. De ano para ano, foi crescendo o consumo da bebida que preparava e que era a preferida no comércio local, visto que a maioria dos moradores era de origem alemã e grandes apreciadores da cerveja.

O casal Heinrich Hosang teve cinco filhos: Elisa, depois casada com Alvin Schrader (que chegou ao posto de superintendente municipal, tendo governado Blumenau por três quatriênios consecutivos); Otto, casado com Clara Odebrecht; Clara, casada com o conde Von Westarp; Francisco, casado com Ana Maschke; e Helena que se casou com Hermann Schossland.

Hosang esteve à frente da sua indústria até quando faleceu em 16 de dezembro de 1888, com 60 anos de idade.

Seus herdeiros ainda guardam um curioso livro de registro de vendas de cerveja, de 1880 a 1881, a comerciantes onde se pode colher dados interessantes: Maurício Holetz, dono de hotel e bar, era grande freguês da cerveja Hosang: cerca de 300 garrafas por mês. Os negócios do Reinhardt, do Fernando Schrader, do Henrique Probst, do Sutter, do W. Scheeffer, do Victor Gaertner, do Paulo Hartmann, do Stein, do Wegener, do Beyer, do Fiedler, do Asseburg, do Rabe, do Schreiber, do Paupitz, do H. Kestner, do H. Hering, do Guilherme Engelke, do Jens Jensen e de muitos outros espalhados pelo interior da colônia, eram outros tantos revendedores importantes.

Depois do falecimento de Heinrich Hosang, a viúva, auxiliada por seu filho Otto, continuou à frente da fábrica, com a mesma eficiência e o mesmo sucesso anterior.

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Helena Brandes, esposa de Hosang, quando ainda noiva, trajando elegante indumentária da época.

Por volta de 1889/90, a cervejaria muda de endereço saindo do Garcia para uma transversal da Rua São Paulo (atual Rua Heinrich Hosang).

Otto, nascido em Blumenau em 20 de dezembro de 1873, estudou química em Brunswick (Alemanha) e casou em Blumenau em 20 de agosto de 1896 com Henrica Gustava Clara Odebrecht, nascida em primeiro de junho de 1874, com quem teve 12 filhos (Heinrich, Hedwig, Arthur, Ralf, Ilka, Herald, Curt, Erika, Evelina, Max, Emil, Ingo) e 29 netos.

Até que, em 1898, o filho Franz (Francisco) e o genro, Hermann Schossland, associados, passaram a dirigir a cervejaria, sob a razão social de Schossland & Hosang.

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Em 1906, Hermann deixa a sociedade e Francisco assume a responsabilidade social sozinho. Nesse mesmo ano, seu irmão Otto, que tinha regressado recentemente da Alemanha, onde fora estudar, tenta a implementação de uma subsidiária da cervejaria em Itajaí – SC e posteriormente, oficialmente associado ao irmão, transfere a Cervejaria, com o nome de Cervejaria Nacional Otto Hosang, para Aquidaban (antigo distrito de Blumenau e atual município de Apiúna).

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Em 1920 Otto Hosang veio com a família fixar residência em Taió, quando foi nomeado primeiro agente do Correio do município. Em 1922 ele muda novamente para Blumenau. Em 1923 voltou com a família para Aquidaban onde se estabeleceu com uma casa de comércio. Foi agente do Correio e Telégrafo e agente da Estação da Estrada de Ferro Santa Catarina naquela localidade.

Infelizmente, a Cervejaria Nacional Otto Hosang deixa de funcionar em 1923, por motivo de doença de Francisco Hosang e por Otto já estar exercendo a função de agente do correio em Taió, sendo vendido todo o acervo, material e maquinaria, à firma Bock de Nova Breslau, atual Presidente Getúlio, onde ainda prestaram serviços por longos anos.

É dessa última época, o rótulo da “Cerveja Victória” que ilustra este trabalho e que custava 300 réis a garrafa. Era, como as demais da época, das chamadas “marca barbante” porque as garrafas, em vez de fechadas com as tampinhas de metal, como atualmente se usa, eram obturadas com rolhas de cortiça. Um fio de barbante, passado sobre as rolhas e amarrado ao gargalo das garrafas, assegurava maior resistência aos efeitos da fermentação da bebida.

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Em 1925, Otto Hosang e família vieram morar definitivamente em Taió. Reassumiu a agência do Correio, que esteve entregue desde que se ausentou de Taió, aos cuidados de seu Filho Ralf Hosang. Após a revolução de 1930, quando assumiu o poder Getúlio Vargas, decretou a fusão do Telégrafo aos Correios, e como o telégrafo até aqui esteve sob a agenciação de Estelina Lenzi, ela perdeu o cargo de agente para Otto Hosang, que era funcionário público mais antigo. Por esse motivo Otto Hosang foi nomeado Agente do Correio e Telégrafo de Taió, cujo cargo ele ocupou até sua morte ocorrida em 17 de junho de 1932.

Fonte:  Carlos Alberto Tavares Coutinho (http://cervisiafilia.blogspot.com.br)

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Cervejarias do Brasil: Irmãos Leonardelli & Cia (Caxias)

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junho 3, 2013 | Posted in Artigos, Curiosidades

O início da Cervejaria Leonardelli coincide com os primeiros anos da chegada dos imigrantes italianos à região por volta de 1875.

Entre os primeiros imigrantes que chegaram a Caxias, contava-se o pioneiro Ambrogio Leonardelli (Ambrozio). Homem trabalhador e honesto foi um dos iniciadores da vida da nossa cidade, sendo um dos desbravadores do antigo ambiente que aqui reinava.

Em 1878, Ambrozio Leonardelli trabalhava como cervejeiro em uma fábrica caseira nas imediações da Rua Tronca, antigo bairro lusitano.

Tempos depois, Ambrozio casou com dona Maria Lanner, pertencente a uma das famílias que haviam emigrado para o Brasil, foi o primeiro casamento que realizado na nesta comuna, desta união nasceram cinco filhos e dentre estes João Leonardelli, nascido em 1880, que viria a ser um grande cervejeiro.

Em 1882, Ambrozio Leonardelli lançou as bases de uma indústria que Caxias desconhecia. Começou a fabricar cerveja e inaugurou a própria fábrica de cerveja em um terreno na Rua Ernesto Alves, próximo à atual rodoviária. Imitando a iniciativa de Ambrozio, outros imigrantes tentaram fabricar o mesmo produto. Alguns logo desistiram, quando foi criado o imposto de vinte réis (0$020) por garrafa, alegavam que ninguém faria mais uso de cerveja pois a garrafa desse liquido passaria de cento e sessenta réis (0$160) para cento e oitenta réis (0$180). Ambrozio Leonardelli, homem tenaz e cheio de boa vontade não esmoreceu e continuou a fabricação do mencionado produto.

Em 23 de janeiro de 1911, o jornal “O Brazil” publica a relação dos prêmios ganhos pelos estabelecimentos de Caxias que participaram da Exposição Nacional de 1908 e entre eles estava a Fábrica de Cerveja de Ambrozio Leonardelli que havia recebido medalha de bronze.

Em 1912, com o afastamento de Ambrozio, a firma passa a denominar-se Leonardelli & Irmãos composta por João, Carlos e Mario Leonardelli.

Em 18 de outubro de 1914, são inauguradas as novas máquinas da cervejaria, adquiridas na casa Bromberg & Cia. E montadas pelo Sr. Maximiliano Müller.

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Em setembro de 1917 a cervejaria ganhou mais um prêmio, recebeu medalha de prata na 1ª Exposição Agrícola-Industrial promovida pela SC Gondoleiros de Porto Alegre – RS.

Em 26 de janeiro de 1918 o jornal “O Brazil” noticia o falecimento de Ambrozio Leonardelli com a idade de 71 anos, na quarta-feira passada, dia 23. Morre legando a seus filhos um exemplo de força de vontade e de honradez. Os filhos procuraram continuar a obra do velho Ambrozio Leonardelli desenvolvendo-a e aperfeiçoando-a.

Em sessão de 27 de janeiro de 1921 a Junta Comercial defere o requerimento pedindo o arquivamento do contrato da firma Leonardelli & Irmão, com o capital de 20:000$000 (vinte contos de réis), da qual fazem parte João, Carlos e Mário Leonardelli.

Em 1927 falece Mario Leonardelli, um dos três irmãos.

Em 1933, deram um novo impulso, fazendo uma grande reforma e conversão de alta para baixa fermentação. A firma, então, tomou uma nova denominação Irmãos Leonardelli & Cia. Prosseguiam como sócios João e Carlos e entravam para a mesma Ambrozio Leonardelli (neto) e Primo Leonardelli.

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Em 1934, na 4ª Festa Regional da Uva, recebeu diploma de honra pelo belo stand de seus produtos.

Em 1935, imprimiram os componentes da firma uma nova atividade. Construíram a segunda maltaria do Estado, indústria que o senhor Getúlio Vargas apoiou, isentando-a de impostos, reconhecendo o valor da mesma na prosperidade econômica da nação. Gerencia a atividade comercial da firma, o Sr. Raimundo Leonardi, espirito dinâmico, honrado e benquisto.

Em 6 de julho de 1945 é publicada nos jornais a declaração da venda da cervejaria e da maltaria à Cervejaria Brahma.

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Em 24 de abril de 1948 o jornal “O Momento” publica o aviso de fechamento, pela Brahma, das fábricas de Caxias do Sul e de Pelotas no Rio Grande do Sul.

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Fonte:  Carlos Alberto Tavares Coutinho (http://cervisiafilia.blogspot.com.br)
Imagem e texto retirados dos jornais: “O Momento” e “O Brazil” de Caxias-RS.

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Cervejarias do Brasil: Cervejaria Zschoerper (São Bento do Sul)

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maio 16, 2013 | Posted in Artigos, Curiosidades

A família Zschoerper tem um envolvimento bastante antigo com as cervejarias históricas de São Bento do Sul em Santa Catarina. O pioneiro foi Paul Zschoerper, imigrante que chegou ao Brasil em 1883, natural de Wigensdorf, Condado de Chemnitz, Saxônia, na Prússia.

Paul por volta de 1885 foi funcionário na cervejaria que ostentava o bonito nome de ‘zum Waldschlößchen’ (ao castelinho da floresta) do Capitão Adolph von Altrock, o capitão era tido como o melhor cervejeiro dos tempos antigos de São Bento. Entre 1886 e 1888 participou como sócio de Bruno Ryssel, em outra iniciativa no ramo.

Em 1898 Paul Zschörper estabelece sua própria cervejaria, que talvez tivesse o nome de Fábrica de Cerveja Paul Zschöper, no centro da vila, atual Avenida Nereu Ramos, próximo ao Edifício Bavária. Um dos filhos de Paul Zschörper, de nome Otto passa a participar no negócio nos anos seguintes e assume definitivamente a gerencia da firma por ocasião da morte do patriarca, que ocorreu em 1909, mudando o nome da cervejaria para Fábrica de Cerveja de Otto Zschöper.

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Em 1914 a cervejaria passa a fechar suas garrafas utilizando chapinhas metálicas.

Na década de 20 adotam o nome de <strong>Cervejaria Cruzeiro do Sul.

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Em 1936, diante da concorrência cada vez maior das cervejas de fora da cidade, vindas de centros maiores como Curitiba, Joinville e mesmo São Paulo e Rio de Janeiro, a empresa promoveu uma reformulação geral da produção e lançou novas marcas de cerveja: “Cometa”, “Porter” (nova fórmula) e “Especial”. O lançamento das novas marcas de cerveja ocorreu com bastante alarde numa grande festa de casamento de Otto Rössler Filho com Amanda Telma. Ali foram servidas as primeiras rodadas do que diziam “ein Sonderbier vom Zschörper” (uma cerveja especial do Zschoerper).

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Na década seguinte, seriam lançadas as marcas “Princesa” e “Estrella” que ainda hoje estão na memória de algumas pessoas.

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A fabricação de cervejas por parte da família Zschoerper continuou até a década de 1950, quando passaram a dedicar-se à distribuição dos produtos da Cia. Cervejaria Brahma, descontinuando a produção própria de bebidas. Não existe um registro histórico definitivo estabelecendo exatamente o ano em que pararam com a fabricação de cervejas. Seria a última cervejaria dos tempos antigos a encerrar suas atividades em São Bento do Sul.

Como distribuidora Brahma, a firma Zschoerper funcionou até 1982.

Fonte: Carlos Alberto Tavares Coutinho (http://cervisiafilia.blogspot.com.br)
Texto de propriedade do site: História resumida de algumas cervejarias antigas de São Bento do Sul
Autor: Henry Henkels

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