Cervejarias do Brasil: Cervejaria Hosang

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junho 24, 2013 | Posted in Artigos, Curiosidades

Baseado em: José Ferreira da Silva – Blumenau em Cadernos Tomo – nº.9 – setembro de 1960.
Atualizado e/ou confirmado por: Niels Deeke, Brigitte Brandenburg, Henry Henkels e Marcos Schroeder.
Imagens do rótulo e da garrafa gentilmente cedidos por Eliane Hosang (tataraneta de Heinrich hosang).

Em 1858, veio juntar-se aos colonos alemães que construíram, à margem do Garcia, a sede da colônia Blumenau – SC, um imigrante nascido em 29 de março de 1828, natural de Brunswick (Alemanha). Chamava-se Heinrich Hosang (Heinrich Peter Andréas Hosang)

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Homem ativo e empreendedor pensou logo na criação de uma indústria de cerveja, de que trouxera prática do velho mundo. E tão logo viu possibilidades de suficiente consumo para a produção prevista, e depois de ter construído sua casa na atual Rua São Paulo (casa que ainda existe) e de ter se casado com Helena Brandes (Helene Friederike Henriette Brandes) nascida em 20 de outubro de 1838, instalou, nos fundos de sua residência, a sua pequena indústria.

Isso se deu em 1860, quando Blumenau contava, apenas, pouco mais de 950 moradores, agrupados em 190 famílias e outras tantas casas de moradia, das quais só umas sessenta mereciam esse nome, pois, as outras, não passavam de ranchos cobertos de palha.

O terreno adquirido por Hosang tinha 150 geiras e custara 450$000 que foram pagos à vista. Não se tendo, no momento de efetuar o pagamento, conhecimento, ainda, do regulamento da colônia (que naquele mesmo ano de 1860 passara para o domínio do governo imperial) e que concedia o desconto de 12% sobre o preço de terras pagas à boca do cofre, Hosang em 1867, requereu lhe fosse devolvida a importância que pagara a mais.

A fábrica de Hosang prosperou. De ano para ano, foi crescendo o consumo da bebida que preparava e que era a preferida no comércio local, visto que a maioria dos moradores era de origem alemã e grandes apreciadores da cerveja.

O casal Heinrich Hosang teve cinco filhos: Elisa, depois casada com Alvin Schrader (que chegou ao posto de superintendente municipal, tendo governado Blumenau por três quatriênios consecutivos); Otto, casado com Clara Odebrecht; Clara, casada com o conde Von Westarp; Francisco, casado com Ana Maschke; e Helena que se casou com Hermann Schossland.

Hosang esteve à frente da sua indústria até quando faleceu em 16 de dezembro de 1888, com 60 anos de idade.

Seus herdeiros ainda guardam um curioso livro de registro de vendas de cerveja, de 1880 a 1881, a comerciantes onde se pode colher dados interessantes: Maurício Holetz, dono de hotel e bar, era grande freguês da cerveja Hosang: cerca de 300 garrafas por mês. Os negócios do Reinhardt, do Fernando Schrader, do Henrique Probst, do Sutter, do W. Scheeffer, do Victor Gaertner, do Paulo Hartmann, do Stein, do Wegener, do Beyer, do Fiedler, do Asseburg, do Rabe, do Schreiber, do Paupitz, do H. Kestner, do H. Hering, do Guilherme Engelke, do Jens Jensen e de muitos outros espalhados pelo interior da colônia, eram outros tantos revendedores importantes.

Depois do falecimento de Heinrich Hosang, a viúva, auxiliada por seu filho Otto, continuou à frente da fábrica, com a mesma eficiência e o mesmo sucesso anterior.

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Helena Brandes, esposa de Hosang, quando ainda noiva, trajando elegante indumentária da época.

Por volta de 1889/90, a cervejaria muda de endereço saindo do Garcia para uma transversal da Rua São Paulo (atual Rua Heinrich Hosang).

Otto, nascido em Blumenau em 20 de dezembro de 1873, estudou química em Brunswick (Alemanha) e casou em Blumenau em 20 de agosto de 1896 com Henrica Gustava Clara Odebrecht, nascida em primeiro de junho de 1874, com quem teve 12 filhos (Heinrich, Hedwig, Arthur, Ralf, Ilka, Herald, Curt, Erika, Evelina, Max, Emil, Ingo) e 29 netos.

Até que, em 1898, o filho Franz (Francisco) e o genro, Hermann Schossland, associados, passaram a dirigir a cervejaria, sob a razão social de Schossland & Hosang.

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Em 1906, Hermann deixa a sociedade e Francisco assume a responsabilidade social sozinho. Nesse mesmo ano, seu irmão Otto, que tinha regressado recentemente da Alemanha, onde fora estudar, tenta a implementação de uma subsidiária da cervejaria em Itajaí – SC e posteriormente, oficialmente associado ao irmão, transfere a Cervejaria, com o nome de Cervejaria Nacional Otto Hosang, para Aquidaban (antigo distrito de Blumenau e atual município de Apiúna).

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Em 1920 Otto Hosang veio com a família fixar residência em Taió, quando foi nomeado primeiro agente do Correio do município. Em 1922 ele muda novamente para Blumenau. Em 1923 voltou com a família para Aquidaban onde se estabeleceu com uma casa de comércio. Foi agente do Correio e Telégrafo e agente da Estação da Estrada de Ferro Santa Catarina naquela localidade.

Infelizmente, a Cervejaria Nacional Otto Hosang deixa de funcionar em 1923, por motivo de doença de Francisco Hosang e por Otto já estar exercendo a função de agente do correio em Taió, sendo vendido todo o acervo, material e maquinaria, à firma Bock de Nova Breslau, atual Presidente Getúlio, onde ainda prestaram serviços por longos anos.

É dessa última época, o rótulo da “Cerveja Victória” que ilustra este trabalho e que custava 300 réis a garrafa. Era, como as demais da época, das chamadas “marca barbante” porque as garrafas, em vez de fechadas com as tampinhas de metal, como atualmente se usa, eram obturadas com rolhas de cortiça. Um fio de barbante, passado sobre as rolhas e amarrado ao gargalo das garrafas, assegurava maior resistência aos efeitos da fermentação da bebida.

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Em 1925, Otto Hosang e família vieram morar definitivamente em Taió. Reassumiu a agência do Correio, que esteve entregue desde que se ausentou de Taió, aos cuidados de seu Filho Ralf Hosang. Após a revolução de 1930, quando assumiu o poder Getúlio Vargas, decretou a fusão do Telégrafo aos Correios, e como o telégrafo até aqui esteve sob a agenciação de Estelina Lenzi, ela perdeu o cargo de agente para Otto Hosang, que era funcionário público mais antigo. Por esse motivo Otto Hosang foi nomeado Agente do Correio e Telégrafo de Taió, cujo cargo ele ocupou até sua morte ocorrida em 17 de junho de 1932.

Fonte:  Carlos Alberto Tavares Coutinho (http://cervisiafilia.blogspot.com.br)

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Beber cerveja com moderação não engorda e nem aumenta a barriga

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junho 20, 2013 | Posted in Artigos, Curiosidades

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Que tal tomar uma latinha de cerveja para se refrescar? Parece uma proposta absurda para quem está de dieta. Mas não é bem assim. Alguns estudos europeus recentes comprovaram que consumir essa bebida com moderação não engorda e nem aumenta a barriguinha. Mas tem um porém: para não ganhar excesso de peso, é importante também seguir uma dieta balanceada, além de praticar atividades físicas com regularidade.

Uma dessas pesquisas recentes sobre cerveja é do Instituto Frío-ICTAN, órgão do Conselho Superior de Investigações Científicas de Madri, na Espanha. “As conclusões desse estudo indicaram que o consumo moderado desta bebida fermentada, de baixa graduação alcoólica, não provoca aumento de peso, nem modificações na composição corporal”, afirma Ana Veses Alcobendas, autora do estudo, em entrevista ao jornal português Ciência Hoje – especializado na divulgação de pesquisas científicas europeias.

Mas o que significa beber moderadamente? O limite saudável para as mulheres é tomar uma  lata por dia, e para os homens, duas (segundo as diretrizes do Departamento de Saúde e de Serviços Humanos dos Estados Unidos). Detalhe importante: não vale acumular os drinques todos na noite de sábado, caso não tenha bebido álcool durante a semana. Consumir bebidas alcoólicas em excesso pode prejudicar a saúde.

Também não vale exagerar no consumo de petiscos engordativos, que costumam acompanhar a cervejinha. “Muitas vezes, eles é que são os verdadeiros causadores do aumento de peso”, afirma a nutricionista Andrea Zaccaro de Barros, da Vianutri Consultoria, em São Paulo. Portanto, fique longe de salgadinhos fritos, carnes gordurosas, porções de amendoins e outras comidinhas calóricas.

Mais uma boa notícia! A cerveja contém boas doses de vitaminas do complexo B e minerais como fósforo e selênio. Esses nutrientes trazem muitos benefícios para a saúde! Essa bebida fortalece os ossos, ajuda a reduzir o colesterol, hidrata o corpo e até deixa a pele mais bonita! E mais: “É uma bebida que possui capacidade antioxidante moderada, devido à presença de compostos fenólicos, associada a um relativo baixo teor alcoólico. Estudos epidemiológicos sugerem uma relação entre alimentos ricos em polifenóis e a prevenção de problemas, como câncer, doenças cardiovasculares e inflamações”, ressalta a nutricionista Andrea.

Que tal aproveitar a notícia e tomar uma bela cerveja acompanhada de comidinhas light? “Uma sugestão é fugir do estilo tradicional produzido em larga escala no Brasil – mais conhecido como a pilsen. Descubra novos estilos. Geralmente são encontrados em empórios, supermercados e bares especializados em cervejas especiais”, diz Rogério Sventkauskas, sommelier em cervejas, de São Paulo. Quer sugestões bacanas? Veja aqui deliciosas harmonizações criadas pelo especialista. As receitas são do MdeMulher.

Salada refrescante: alface, queijo, cenoura, tomate e pepino
• Estilo: Witbier, marca: Hoegaarden
• Estilo: Bohemian Pilsner, marca: Pilsner Urquell

Risoto de brócolis e couve-flor
• Estilo: Weizenbier, marca: Colorado Appia

Carne assada ao molho madeira
• Estilo: Dunkelweizen, marca: Erdinger Weissbier Dunkel
• Estilo: Índia Pale Ale (IPA), marca: Dama IPA

Peito de frango grelhado com molho de açafrão, frutas secas e amêndoas
• Estilo: Extra Special Bitter (ESB ), marca: Fuller´s ESB

Badejo com ervas
• Estilo: Belgian Golden Strong Ale, marca: Delirium Tremens
• Estilo: Kölsch, marca: Eisenbahn Kölsch

Macarrão com tomate-cereja e ervas
• Estilo: Vienna Lager, marca: Bierland Vienna

Bolo de cenoura com chocolate light
• Estilo: American Pumpkin Ale, marca: Brooklyn Post Road Pumpkin Ale
• Estilo: Brown Ale, marca: Klein Brown Ale

Brownie light
• Estilo: Stout, marca: Guinness
• Estilo: Porter, marca: Colorado Demoiselle
• Estilo: Fruit Lambic, marca: Kriek Boon

(Com reportagem do jornal português Ciência Hoje)

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Scotch, por favor. Sem gelo.

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junho 18, 2013 | Posted in Artigos, Curiosidades

Um doente estafado de uma cavalgada que cruzou grande parte do território escocês foi medicado com uma droga anestésica na primeira metade do século 15.

Os monges celtas que o tratavam, já haviam utilizado este medicamento mais de uma centena de vezes. Devido à crença que esses religiosos depositavam na bebida que aliviava a dor daqueles que portavam graves enfermidades, batizaram-na de aquavitae, ou água da vida.

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Esse registro (historicamente não confirmado) levanta a suposição que a arte de destilação da aquavitae já era conhecida na Irlanda, onde operava a Igreja Celta. Essa droga que os monges produziam era baseada em uma mistura de maltes especiais destilados. Quando a droga popularizou-se na Escócia, a palavra aquavitae foi traduzida para o gaélico escocês como uisge beatha e, posteriormente, usquebah (cuja pronúncia se parece com uísque).

Entretanto, mesmo que os monges já destilassem em toda Europa o malte que entraria para a história, foi na escócia que eles encontraram o mais formidável de todos os terroirs.

Para o leitor que não está familiarizado com a expressão, terroir significa uma reunião de todas as características climáticas e geológicas de uma determinada região que, quando juntas influenciando a produção de uma determinada iguaria, a tornam única e diferenciada de outra produzida em uma região de terroir diferente.

Em 1845 o Frade John Cor publicou o famoso pedido de compra de oito bolls (1300L) da bebida, em nome do rei da Escócia. Esse foi o primeiro registro de uma transação de Whisky conhecida na história. Em 1850, burgueses escoceses como John Walker, George Ballantine, James Chivas, John Dewar e Matthew Gloag começaram a produzir blends com grãos leves. Desde então o Whisky escocês vêm liderando as vendas em relação aos produzidos em qualquer outro lugar do planeta.

A produção de Whisky foi se diversificando e tornando-se mais complexa na medida em que as principais destilarias escocesas cresciam. Entretanto os Whiskys que realmente vendiam eram os Malt Whisky que podem ser formados por um único malte, por um malte puro de uma só destilaria, ou por um blend deles, e o Grain Whisky que pode ser destilado a partir de grãos de milho ou de trigo.

Em uma garrafa de Scotch Whisky existem cerca de 800 compostos químicos dos quais 44 vêm do carvalho do barril. Não existem 2 scotch whiskies iguais, embora algumas vezes duas ou mais destilarias pertençam ao mesmo dono, usem a mesma cevada, água, barril, etc. Elas sempre produzirão produtos finais diferentes. Uma vez engarrafado a bebida torna-se complexa através de seu envelhecimento.

Um Whisky pode ser feito 100% com cereais maltados, provenientes de uma única destilação e, por isso mesmo, pode apresentar sabores diversos de acordo com cada processo. Esse tipo de Scotch é chamado de Puro Malte. Os “Puro Malte” podem ser engarrafados como “Single Malt” no qual apenas uma destilação é utilizada ou como “Vated” no qual várias destilações “single malt” são misturadas para se conseguir o profuto final. Entre os apreciadores é comum afirmar que o “single malt” é um músico solista se apresentando, enquanto o “vated” é toda a orquestra tocando junta.

Essa bebida é envelhecida por no mínimo 6 anos. Um Scotch tradicional, por no mínimo 8. Considerando que um blender especialista cuja formação de toda uma vida o tornou capacitado para preparar essa ilustre iguaria por 12, 15, 18, 21 anos ou mais, você não acha que seria uma pouco de desrespeito da sua parte misturar guaraná, soda ou energético com seu Whisky?

Fonte: Papo de Homen

Rodrigo Almeida

RODRIGO ALMEIDA

Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, nostálgico entusiasta de muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.

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A cerveja e a formação de pedras na vesícula

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junho 17, 2013 | Posted in Artigos

A vesícula é um órgão em forma de pera que está situada abaixo do fígado, no lado superior direito do abdômen. A sua principal função é a de armazenar a bílis produzida pelo fígado e concentrá-la. A bílis é uma secreção do fígado com várias funções. No processo digestivo, ela facilita a digestão das gorduras, promovendo a emulsificação das mesmas, o que ajuda na ação das enzimas digestivas. Deste modo, durante a digestão a vesícula contrai-se e lança uma determinada quantidade de bílis para o intestino.

Como se formam então as pedras na vesícula? A maior parte (cerca de 75%) dos cálculos (as chamadas “pedras” – em inglês gallstones) são constituídos por colesterol e são transparentes ao Rx, sendo que uma minoria são constituídos por bilirrubinato de cálcio e, neste caso, são opacos ao Rx. A alteração do balanço entre os três principais constituintes da bílis – colesterol, fosfolípidos e sais biliares – leva à precipitação de cristais de colesterol que proporcionam o núcleo para a formação de cálculos na vesícula. Outros fatores como alterações do esvaziamento da vesícula e fatores genéticos podem precipitar a formação de cálculos.

A ecografia mostra que entre 10 a 15% da população mundial tem pedras na vesícula (litíase da vesícula e calculose da vesícula são maneiras diferentes de dizer a mesma coisa, já que litus em latim significa rocha e calculus significa pedra pequena). Cerca de 85% das pessoas com litíase da vesícula não têm sintomas (litíase assintomática)  e não necessitam de tratamento. Embora na maior parte das pessoas as pedras na vesícula não causem sintomas e não necessitem de tratamento, estas podem causar cólicas repetidas e, neste caso, a vesícula e os cálculos devem ser tirados pelo cirurgião (colecistectomia). Por vezes, a vesícula com cálculos inflama (colecistite aguda) e a colecistectomia pode ser uma urgência. Se o cálculo sai da vesícula e se encrava no canal colédoco dá origem a uma coledocolitiase que pode causar pancreatite ou colangite.

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Todos os termos técnicos atrás referidos significam, em última análise, dor. Por vezes, muita dor! Não compete ao Cervejas Do Mundo analisar os sintomas e propor tratamentos. Para isso, há inúmeros sites com excelentes secções médicas, entre os quais aconselhamos este: Manual Merck. Mas, do nosso ponto de vista, é importante verificar se a ingestão de bebidas alcoólicas, em especial cerveja, podem acelerar o processo de formação das pedras ou se, ao invés, ajudam na proteção à formação da mesmas.

Agora vamos às boas notícias, pelo menos para os consumidores de cerveja. Vários estudos científicos já demonstraram que as pessoas que ingerem bebidas alcoólicas de uma forma moderada, têm um risco menor de desenvolver pedra na vesícula, conforme consta de um artigo que foi publicado no American Journal of Epidemiology. Aliás, outros estudos já tinham sido feitos sobre o assunto e apontavam para as mesmas conclusões, a saber:

  • Martinez de Pancorbo, C. et. al. “Prevalence and associated factors for gallstone disease: results of a population survey in Spain”, Journal of Clinical Epidemiology, 1997;50:1347-1355.
  • La Vecchia, C. et. al. “Alcohol drinking and prevalence of self-reported gallstone disease in the 1983 Italian national health survey”,Epidemiology, 1994; 5:533-536.
  • Colditz, G.A. “A prospective assessment of moderate alcohol intake and major chronic diseases”, Annals of Epidemiology, 1990;1:167-177.
  • Thornton, J. et. al. “Moderate alcohol intake reduces bile cholesterol saturation and raises HDL cholesterol”, Lancet, 1983:ii:819-822.

Um outro estudo, desta vez realizado na França, procurou estabelecer a ligação entre os hábitos alimentares e o aparecimento de pedra na vesícula. Foram questionadas 2759 pessoas, 13,9% das quais tinham já problemas com cálculos. Uma análise comparativa aos grupos com e sem pedra, revelou que a obesidade é um fator de elevado risco no surgimento desta doença, assim como o açúcar e dietas ricas em gorduras saturadas. Curiosamente, alimentos com alto teor de fibra (frutas e vegetais) mostraram pouco impacto no desenvolvimento ou prevenção deste problema. Todavia, constatou-se que as pessoas que bebiam álcool de uma forma moderada (entre 20 a 40 gramas por dia), tinham menos probabilidades de desenvolver pedra na vesícula do que a média da população. É, por isso, bem possível que o consumo consciensioso de bebidas alcoólicas possa ter um efeito protetor no aparecimento desta doença (Caroli-Bosc F-X et al. Cholelithiasis and dietary risk factors: an epidemiological investigation in Vidauban, southeast France. Digest Dis Sci 43 (1998), 2131-2137.).

Daqui se pode concluir que será necessário efetuar mais estudos para que, de uma forma concreta e científica, se percebam os efeitos que as bebidas com álcool e, em particular, a cerveja, podem ter no desenvolvimento dos cálculos vesiculares. De fato, não é por uma pessoa beber cerveja que não surgirá este tipo de doença, nem a cerveja a ajudará a curar, mas pode-se afirmar que, certamente, existirão menores probabilidades dela se desenvolver.

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Fonte: Cervejas do Mundo

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Conheça os tipos de cachaça

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junho 15, 2013 | Posted in Artigos

Entre os diferentes tipos de cachaça existentes no mercado, a dificuldade para uma pessoa leiga seria entender as diferenças entre cada uma delas antes de harmonizá-la

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Antes de degustar, convém saber escolher a cachaça certa. A primeira definição, e a mais genérica, será optar entre as cachaças quanto ao seu processo de fabricação: industrial ou artesanal.


Artesanal ou industrial:

A pinga artesanal é fabricada em uma pequena indústria, denominada engenho, geralmente familiar, que trabalha com pequenos volumes. Já a cachaça é feita em alambique (do árabe al-ambique), uma engenhoca, cujo sistema de funcionamento remonta à Idade Média. No Brasil seu surgimento está por volta da segunda metade do século XIX, a primeira referência no país está em obra publicada em 1878, que anunciava “aparelho a colunas de destilação dos Srs. J. F. Cali & C., de Paris, podendo destilar 20 hectolitros por dia…”.

Enquanto a cachaça artesanal é elaborada em alambiques de cobre, e tem colheita manual e processo de fermentação artesanal ou caipira, que pode levar de 15 a 30 horas. A aguardente de cana é produzida nas grandes indústrias em alambiques de aço inox, a colheita é feita com máquinas e o processo de fermentação é químico, de apenas seis horas. Além disso, a fermentação artesanal acontece de forma espontânea, a partir da cana-de-açúcar moída, e a fermentação caipira utiliza agentes catalisadores naturais, como o farelo de trigo, o arroz, a soja ou o milho.

Na indústria, trabalham-se grandes volumes de caldo de cana, que, fermentados, depois são destilados, obtendo-se milhares de litros de cachaça por dia, tudo automatizado. Dessa imensa capacidade de produção das indústrias resulta uma aguardente de custo baixo, cujo preço unitário, por litro, é muito barato.

Os grandes volumes fermentados são integralmente destilados, não sofrendo nenhum tipo de separação de partes, o que ocorre na “indústria artesanal”. O aproveitamento total do volume fermentado para a destilação e a estandardização, entre outras práticas industriais, não conseguem dar qualidade sensorial à pinga industrial, que, normalmente não possui aroma e gosto agradáveis e tem os seus efeitos criticados por consumidores que passam da segunda dose. O grande desafio da indústria é aprimorar a estrutura organoléptica do seu produto, dar-lhe melhor perfume e sabor, para que ela fique tão atraente quanto a cachaça artesanal.

Cachaça Nova:

A cachaça nova, branca, fresca é a pinga que foi engarrafada, logo depois que foi produzida, que verteu do alambique e apenas “descansou” em dorna ou tonel por alguns dias, e no máximo três meses.

Cachaça envelhecida:

Cachaça só envelhece se for guardada em madeira: barril, tonel, dorna, cartola, barrilete, ancorote, pipa ou parol. A cachaça necessita de oxigênio e somente a porosidade da madeira permite que ela “respire”. Cachaça não envelhece em vidro, aço inoxidável, ferro, plástico ou tanque de cimento. O máximo que pode ocorrer, engarrafada, é, em condições constantes de temperatura, baixa luminosidade e boa vedação da rolha, manter suas características organolépticas inalteradas.

Estocada em barril de madeira, a cachaça terá os seus componentes secundários sofrendo reações químicas lentas e contínuas, uma oxidação provocada pelas trocas gasosas entre o interior do barril e o ar externo, através dos poros da madeira. A formação de ésteres irá modificar a composição e as características da bebida. O contato da cachaça com as paredes do tonel, o tipo de madeira utilizada, as condições do ambiente, o tempo de estocagem, o tamanho do barril e o teor alcoólico da cachaça vão determinar a intensidade e a velocidade das mudanças. Quanto maior o tonel, menos reações químicas e menor evaporação. No tonel pequeno, onde é maior o contato entre a bebida e a madeira, reações plenas e rápidas, porém maior evaporação. Tonéis pequenos podem provocar perdas de até 40 % depois de 12 meses.toneisdecarvalho

Na primeira fase de estocagem dizemos que ela está “descansando”. Vai conformar-se, assentar o seu caráter, sua personalidade, identificar-se, reconhecer-se. Este período não deve ultrapassar três meses. De três a seis meses, a pinga já começa a se alterar. Com seis meses, passamos do descanso para o envelhecimento propriamente dito. Mas esses prazos são relativos, vão depender da madeira escolhida, do ambiente, do perfil químico da cachaça.

A legislação vigente determina que, após um ano, no mínimo, em tonel ou barril de madeira, a cachaça está envelhecida. Estudos indicam que, após um ano e meio, a cachaça lacrada em tonel ou barril selado por órgão oficial de controle atingirá um ótimo estágio de envelhecimento. A partir de três anos, submetida ao processo de envelhecimento, a bebida ingressa na categoria “reserva especial”. Com o envelhecimento, cai a graduação da cachaça, a pinga fica mais suave, macia, perde um pouco da sua natural acidez. A cachaça toma a cor da madeira, matizes do levemente amarelado ao amarelo turvo, fechado, passando pelo dourado brilhante, chegando ao ouro velho. Aquele cheiro rústico, escancarado, da cana se transforma, pois a cachaça absorve elementos da madeira. E o gosto se altera sensivelmente. A pinga fica mais adstringente, de sabor curto, abreviado.

No mínimo 50 % da cachaça fica durante pelo menos um ano em tonéis de no máximo 700 litros. Por ser um tonel menor e por ficar retido por mais tempo, as cachaças envelhecidas acabam apresentando alterações mais evidentes na sua cor, aroma e paladar. As cachaças chamadas Premium são 100% envelhecidas de um a três anos. E a Extra-Premium é 100% envelhecida no tempo mínimo de três anos.

As madeiras para armazenamento e envelhecimento:

O legal na cachaça é a diversidade de tipos de madeira para envelhecimento e armazenamento. É o único destilado (que conhecemos) que pode ser armazenado em tonéis de diferentes madeiras. O whisky, a tequila, o rum são todos armazenados em carvalho. Já a cachaça tem inúmeras madeiras para armazenamento e envelhecimento. Cada estado tem suas madeiras típicas, o que resulta numa diferenciação na cor e no gosto da bebida. Inclusive, alguns estudiosos estão analisando os benefícios dessas variedades de madeira para a saúde.

Por: Raquel Nunes

Fonte: Gastromania

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