julho 6, 2013 | Posted in: Artigos, Curiosidades

Ele já foi considerado “bebida de velho”, coisa dos anos 70, da época que nossos pais eram jovens e mais uma porção de infâmias. Hoje volta à cena como forte expressão de sofisticação e bom gosto. Assim como os grandes heróis, tem uma história atribulada e cheia de peculiaridades, com seus primeiros registros no século XI.

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A principal característica do gin é o uso do óleo essencial de zimbro (genièvre do francês e jenever do holandês) adicionado a um álcool de cereais neutro. Como sempre friso, a maioria dos álcoóis é obtida da mesma forma e o processo pós-destilação é que lhes confere as características peculiares de sabor, cor, aroma e textura.

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Fins medicinais ou recreativos?

Desde a idade média são conhecidas as propriedades medicinais do zimbro, tais como:

  • digestivo,
  • antifúngico,
  • antiinflamatório,
  • diurético,
  • anti-reumático,
  • imunoestimulante

…entre mais uma dúzia de aplicações que naquela época poderiam salvar vidas, visto que as condições de higiene e conservação de alimentos eram péssimas. Assim ele tornou-se rapidamente parte da cultura popular como “um santo remédio”.

Foi na Holanda do século XVI que o médico-cientista Franciscus Sylvius concebeu a mistura com álcool que hoje conhecemos como gin, para o tratamento de males como gota, doenças de rim, estômago e cálculos biliares. Ele era vendido em pequenos frascos nas farmácias. E foi assim até a Revolta Holandesa, conflito entre protestantes dos Países Baixos contra católicos do império Espanhol, de 1566-68 a 1609.

Poção da guerra

Os ingleses, aliados dos protestantes, tiveram contato com uma substância considerada calmante – largamente consumida pelos soldados holandeses antes das batalhas. Ao final da guerra ficou conhecida no Reino Unido como “Calma Holandesa”, a qual foi amplamente difundida na Inglaterra uma vez que o governo permitiu sua produção com grãos de baixa qualidade que não serviam para a fabricação de cerveja.

Com o passar do tempo desencadearam-se uma série de problemas de saúde pública ligados ao alcoolismo, o que forçou o governo inglês a tomar medidas duras como aumento dos impostos de produção e restrições nas vendas, sendo necessárias licenças para comercialização. Além disso, os destiladores só poderiam fornecer a vendedores em sua mesma jurisdição, para ter maior controle e fomentar a economia local.

Dry Martini, feito para guerreiros

Dry Martini, feito para guerreiros

Nas colônias britânicas em países tropicais o gin era usado para disfarçar o sabor do quinino usado preventivamente no combate à malária. Mas nos Estados Unidos essa desculpa não colou durante a lei seca e ele tornou-se o principal produto traficado pela máfia italiana, visto que nos anos 20 do século passado cheirar cocaína e fumar maconha eram hábitos de socialização e a bebida que era o grande mal.

O cinco tipos de gin nos dias de hoje

Atualmente existem diversos tipos de gin, que se dividem em cinco grandes grupos classificados pela família aromática dos ingredientes utilizados em suas notas botânicas. São eles:

Clássico: aqueles predominante de zimbro com um ligeiro toque cítrico e picante. São os gins conhecidos secos apesar de que, na verdade, todos os gins são geralmente secos e sem açúcar, por isso estes são denominados ou London Dry Gin.

Exemplo deste tipo de gin: Seagrams, Plymouth, Tanqueray ou 209.

Cítricos: Aqueles em cuja composição botânica é dominada pelos citrinostransversais, aromas e notas de sabor tais como laranja, limão, grapefruit ou tangerina.

Exemplos:: Tanqueray Ten, Larios Londres # 1 ou 12.

Especiados: composição botânica com caráter reforçado de especiarias como coentro, raiz de angélica(ou erva do espírito santo) , raiz de lírio, canela, cardamomo, pimentas dos mais variados tipos e noz-moscada.

Exemplos: Magellan, Citadelle e Brecon.

Herbais: Notas marcantes de ervas como tomilho, hortelã, alecrim, manjericão.

Exemplos: Gin Mare e Blackwoods.

Florais: Aqueles em cuja principal característica vem de flores ou frutos como flor de uva verde, jasmim, violeta, olho de dragão e cassis.

Exemplos: G’Vine Floraison, Fifty Pounds ou Geranium.

Uma curiosidade que merece detaque é que o Steinhaeger também é um gin, o mais notável da Alemanha.

Os Gins no Brasil

Esta é uma bebida pouco consumida atualmente em nosso país, ficando atrás de vodka, cachaça, whisky e tequila. Portanto, somente as grandes indústrias têm porte para manter algumas boas marcas no mercado e os melhores gins do mundo, que geralmente são de alguma destilaria boutique, infelizmente não são encontrados por aqui. O preço do gin no Brasil é uma realidade completamente diferente dos países mais consumidores, mas sinceramente acho que o investimento vale cada gota.

Alguns dos gins mais consumidos na Europa e Ásia são encontrados facilmente por aqui, como o Tanqueray em suas versões London Dry e Ten, o Beefeater, o Gordon’s e o Bombay Sapphire.

Se você nunca bebeu gin ou ainda tem algum tipo de restrição, aconselho começar com marcas nacionais mais acessíveis de forma a ambientar seu paladar, pois o sabor e aroma do gin são completamente diferentes dos demais destilados que conhecemos. São fortes, “assanhados”, visto que gin tem teor alcóolico bem superior a whisky ou tequila, chegando fácil na casa dos 47° ou mais.

Suas portas de entrada podem ser Gilbey’s ou Seagers. Os dois estão na mesma faixa de preço, porém o Gilbey’s é mais aprimorado chegando mais próximo dos importados.

Fonte: Papo de Homem

 

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